quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Nhoque de berinjela defumada


Berinjela é um dos meus vegetais prediletos. Já fiz refogada, assada, frita, grelhada, mas nunca tinha queimado a casca, como fazem no Oriente Médio para dar o sabor de defumado. Esse é o charme dessa receita, irresistível pra mim por mais de um motivo.
Tinha guardado essa vontade por interesse duplo. Ela veio do Gastrolândia, que está no meu Olimpo de blogs gastronômicos, e é de autoria da Andrea Kaufmann, uma chef que despertou meu interesse quando tinha o AK Delicatessen, de comida judaica, e hoje comanda o AK Vila, na Vila Madalena.
Em São Paulo, a convivência com judeus e sua cultura é trivial, mas em Belo Horizonte, minha terra natal, nem tanto. Os poucos judeus que conhecia não eram muito fiéis às tradições. Então quando me mudei pra SP, me senti à margem desse universo e fiquei super curiosa quando vi que haveria um curso de culinária judaica. Me inscrevi e me tornei fã da Andrea, uma chef muito talentosa, que consegue ser inventiva sem deixar de honrar a tradição.
Bom, mas então vamos à receita, que já tá virando um mexido de tanta informação. O preparo é fácil, o sabor é delicado e cheio de nuances. A combinação do nhoque com o tomate é o arremate perfeito. O preparo original prevê tahine, mas eu tinha pouco tempo e deixei pra próxima.

A berinjela é queimada na boca do fogão até murchar e ficar bem macia. Deu vontade de defumar algumas a mais para fazer um patê depois. Muito simples e muito bom.
Como sempre penso em formas de testar novas versões, fundir princípios de boas receitas e tal, acho que no futuro vou incorporar a berinjela à massa de outro nhoque, que é um dos maiores sucessos aqui do blog. Espero  que gostem!
Nhoque de berinjela defumada
(da chef Andrea Kaufmann

1 berinjela média com casca
160g de ricota
40g de parmesão
20g de maisena
4g de noz moscada moída
1 pitada de sal
pimenta do reino moída a gosto
3 tomates sem pele e sem semente, cortados em cubinhos
10 folhas de manjericão fresco
Modo de preparo: Com um garfo, espete a berinjela e leve à chama do fogão, em fogo baixo. A uma distância de 5 cm, vá virando a berinjela, pra ela ir tostando por igual. O ponto ideal é quando ela estiver bem mole. Deixe esfriar, tire a pele e corte em cubos pequenos. Misture a berinjela à ricota, parmesão, maisena, noz moscada, sal e pimenta. Quando virar uma massa homogênea, enrole em pequenas bolinhas. Ferva uma panela com água e vá colocando os nhoques de 5 em 5 por cerca de 2 minutos. À parte, refogue os tomates com alho e tempere com sal. Incorpore os nhoques, salpique as folhas de manjericão e sirva.
Rendimento: 2 porções

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pudim diet delicioso

Sou apaixonada por pudins e eles têm me perseguido nos últimos dias. Então decidi que a melhor estratégia seria vencer meu perfeccionismo e tentar fazer um pela primeira vez, mesmo sem a garantia de sucesso #TOC

Portanto, essa receita surgiu por etapas. O primeiro passo foi um post no ótimo Panelaterapia sobre os dois estilos primordiais de pudim: com furinho ou sem. Pelo que li nesse post e em outras ocasiões, os furinhos vêm do modo de bater a massa. Se ela fica aerada, tem furinhos. Mas imagino que a combinação de ingredientes também influa, pois alguns são infinitamente mais cremosos que outros.

Enfim, para quem quer incentivar furinhos ou minimiza-los, há quem misture a massa a mão, para incorporar o mínimo de ar, há quem bata na batedeira ou liquidificar e depois coe ou deixe descansar, pras bolhas se desfazerem.

Tenho dois pudins favoritos: o insuperável pudim de nozes da minha vó Yvette (é feito com nozes moídas, que se acumulam no fundo e deixam o creme quase transparente em cima - texturas indecentes de tão boas) e o pudim de leite condensado beeem cremoso, sem furinhos.

Um dia depois de esbarrar com o post da Panelaterapia, foi a vez do Ale Guerra e seu Cuecas na Cozinha, dedicando a um amiga a receita de pudim light e diet com uma foto de babar. Compartilhei a receita na página aqui do blog no Facebook e pensei que gostaria de fazer um dia. Reservei.


Aí, o tiro de misericórdia veio com o Gourmet Viajante, que adorou  a loja e delivery Fôrma de Pudim. Não preciso dizer nada, só mostrar a foto aqui do lado. Mas li a matéria, olhei o site deles e aprendi dois truques, sobre a importância da quantidade de água no banho maria e uma dica pra desenformar (levando o pudim pronto ao fogo rapidinho, pra ajuda-lo a escorregar da forma).

A receita

Depois de tanta campanha e incentivo virtual, decidi fazer o Pudim diet, pois não só a consciência vive pesada. A receita é feita em duas etapas. A primeira é um leite condensado diet caseiro, que é sen-sa-ci-o-nal!!! Gente, é incrível mesmo! A textura, o sabor, tudo. É simples e genial, como o molho branco light. Só leva leite em pó, água quente, adoçante e margarina light. Pra consumi-lo puro, recomendo um pouco menos de adoçante, pois ficou um pouquinho de retrogosto. Mas no pudim ficou perfeito.

leite condensado diet caseiro: perfeito!

Feito o leite condensado, basta levar o resto todo ao liquidificador. Como prefiro o pudim sem furinhos, passei a massa por uma peneira e deu bem certo. Entretanto, como esse doce é light, acho que combina mais com furinhos, pois o creme é bem levinho.

Só não consegui ser fiel à calda original da receita, pois achei que tinha frutose em casa e era stevia para forno e fogão. A bendita não derreteu, empedrou. Não conta pra ninguém, mas usei açúcar comum na calda. Coloquei quatro colheres de sopa e segui o procedimento da receita. Super fácil.

O resultado foi um pudim leve, saboroso, fácil de fazer, que não deixa pista nenhuma do adoçante ou leite desnatado. Se quiser servir sem dizer que é diet, ninguém vai notar ;-)

Pudim de leite diet
(receita do Cuecas na Cozinha)

300g de leite em pó desnatado (uma lata inteira)
400ml de água fervente
1 colher de sopa de adoçante líquido
2 colheres de sopa de margarina light
3 ovos grandes
200 ml de leite desnatado
1 fava de baunilha (ou 1 colher de chá de essência)
200g de frutose

Pré-preparo: Para fazer o leite condensado, bata todo os ingredientes no liquidificador por cerca de 5 minutos e leve a geladeira por, no mínimo, 3 horas.

Modo de preparo: Coloque a frutose na forma de pudim e aqueça no fogo até formar uma calda. Reserve. Bata no liquidificador o leite condensado com ovos, leite e baunilha. Despeje sobre a calda e acomode a forma em um tabuleiro fundo, para assar em banho maria. Encha o tabuleiro com o máximo de água possível. Asse em forno médio (180 graus) por cerca de 1 hora. Retire do forno, deixe esfriar e leve à geladeira por 3 horas. Para desenformar, solte as beiradas com uma faca lisa ou espátula e aqueça a forma por alguns segundos no fogo, para ajudar a soltar o pudim.
Rendimento: 10 porções

domingo, 22 de julho de 2012

Salmão com maracujá

O post anterior foi cria desta receita, conhecida da minha família há alguns anos. Trata-se de uma releitura minha de um prato muito gostoso que conhecemos num spa! Portanto, além de saborosa, é bem light! Quando uma comida de spa é boa, sempre fica a dúvida se o maior atrativo não era a fome, então resolvi tirar a prova. :-P

Pesquisei alguns preparos na internet e optei pela junção de alguns princípios interessantes  para chegar ao molho. Usei só maracujás naturais (que sobraram e renderam o lombo com maracujá da semana passada), cuja polpa deixei de molho na água por alguns minutos. E engrossei o caldo com creme de ricota (não precisa de muito, pois o próprio maracujá já se torna um pouco gelatinoso), também para suavizar o sabor.

Peguei leve na quantidade de maracujá, pra não ficar marcante demais ou enjoativo. E o salmão deixei pedaços altos pro miolo ficar mal passado. Não curto a textura do peixe cozido, gruda nos dentes, e adoro sushis e sashimis, então não tive dúvida. A surpresa foi uma sensação de cremosidade que veio com esse ponto de cozimento. Adorei. Mas quem não gostar de peixe cru, pode grelhar à vontade.

Nesse dia, fiz só uma saladinha para acompanhar, mas cairia muito bem com purê de batata com um toque de raiz forte ou um arroz fresquinho.

Salmão ao molho de maracujá

500g de filé de salmão sem pele e sem gordura
2 maracujás
250ml de água
1 cebola pequena ralada
1 colher de sopa de azeite
2 colheres de sopa de creme de ricota
Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo: Remova a polpa dos maracujás e deixe de molho na água. Aqueça o azeite em uma panela e doure as cebolas. Acrescente o maracujá e tempere a gosto. Com fogo baixo, incorpore o creme de ricota e misture até ficar homogêneo. Reserve. Em uma frigideira quente e com bem pouca gordura, acomode os pedaços de salmão. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora (a gosto). Quando começar a dourar o fundo, vire o peixe para dourar o outro lado, deixando o miolo rosado. Sirva com o molho de maracujá morno.
Rendimento: 2 porções

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Lombo com maracujá

Há anos, faço um lombo assado com suco de laranja e alecrim que é uma delícia. Hoje fui procurar uma carne para o almoço e achei uma bandejinha de bifes de lombo. E lembrei que tinha maracujá natural na geladeira... e assim nasceu um primo super gostoso do lombo com laranja.

Temperei a carne com o tempero da mamãe (depois vou compartilhar a receita aqui, que vale a pena. É à base de alho, cebola, sal e ervas frescas). Misturei a polpa de meio maracujá com dois dedos de água e corri até a varanda para pegar meio raminho de alecrim. Coloquei tudo num pirex forrado de papel alumínio, deixei tampado até cozinhar, depois tirei o alumínio e deixei corar.

O lombo combinou muito bem com o maracujá, que eu já sabia que casava bem com o alecrim (inclusive para suco!). Então agora tenho receita nova, fácil, rápida, que não suja nada. #amei  Na próxima vez, só vou tentar melhorar o visual, provavelmente, fazendo um molhinho de maracujá extra à parte, pra jogar por cima depois de assado. ;-)


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Comidas em 4 de julho

O americano é um povo chato em alguns aspectos, mas em termos de patriotismo o resto do mundo tem mais é que tirar o chapéu pra eles. Tenho visto tantas receitas lindas inspiradas no feriado de 4 de julho, que resolvi compartilhar algumas.

Quem sabe,  num 7 de setembro desses, vemos os cozinheiros brasileiros tão dedicados assim ao nosso verde e amarelo, né?!

Bolo Red Velvet com frutas vermelhas e mirtilos


Esse veio daqui: http://bit.ly/Nmp8ct 




gelatina!

snow cones

Morangos com creme e mirtilo

Mousse com pó de bala



sábado, 30 de junho de 2012

A evolução do morango com chantilly

São Jamie Oliver me apresentou a outro patamar do casamento entre morangos e creme ou chantilly. Como é do estilo dele, a receita é prática, rápida e genial. Basta trocar o creme industrializado por queijo mascarpone, a baunilha engarrafada por uma fava, temperar com aceto balsâmico e acrescentar um toque final de manjericão fresco.

Essa sobremesa é um sucesso. Se for servir pra alguém que nunca provou mascarpone ou torce o nariz para ervas frescas, é só omitir o que tem nela até a primeira colheirada e esperar o huuummmm!

Na primeira vez que eu fiz, encontrei cerejas lindas no mercado e usei algumas junto com o morango. Ficou ótimo, dá pra testar com mais frutas com grande potencial de acerto. Além disso, troquei o açúcar por adoçante pra agradar minha sogrinha, que estava preocupada com a glicose. Ninguém notou a diferença. Então a dica é ir colocando aos poucos e provando, pra ter o mínimo de doce possível. Aí vira uma receita sem açúcar ;-)

Outro detalhe que eu amei é que o Jamie já ensina o que fazer se um pouco da sobremesa sobrar. É só amassar tudo junto e congelar, para ter um sorbet delicioso. Fácil assim. Então recomendo caprichar nas quantidades para curtir duas sobremesas em uma! ;-)

Morangos com mascarpone e aceto balsâmico

Ingredientes
500g de morangos frescos lavados e sem folhas
Açúcar ou adoçante a gosto
10 colheres de sopa de aceto balsâmico
1 fava de baunilha (ou 1 colher de chá de essência de baunilha)
400g de queijo mascarpone
Folhas de manjericão picadinhas (ou hortelã)

Modo de preparo: Coloque os morangos em uma tijela com aceto balsâmico e adoce a gosto. Deixe marinando por 2 horas na geladeira. Corte a fava de baunilha ao meio no sentido do comprimento e raspe as sementes com uma faca ou espátula. Misture-as ao mascarpone e adoce a gosto. Antes de levar os morangos à mesa, salpique-os com manjericão.
Rendimento: 4 porções

domingo, 17 de junho de 2012

Vinagrete nunca mais

Não sou dessas que desprezam os clássicos só porque aprendeu uma novidade. Meus pneuzinhos estão sempre aqui pra comprovar. Mas algumas receitas entram na nossa vida pra contribuir na evolução do paladar e dos ingredientes do nosso repertório culinário.

Filosofias de fogão à parte, desde que adotei o chimichurri, o bom e velho vinagrete perdeu 90% do espaço dele. Como tem ervas e mais azeite, o sabor final é bem mais complexo e versátil. Comecei usando com carnes grelhadas e hoje virou um super coringa de aplicações ilimitadas.

Uma receita de chimichurri rende bastante e dura muito. Minha maior dica é caprichar na quantidade de azeite, pois as ervas e temperos aromatizam o óleo tão bem que a gente pode incorpora-lo em várias oportunidades.

O azeite sozinho já é uma delícia como entradinha, pra gente chuchar um pãozinho básico, fica um gostinho de alho com ervas e picante. Espalhar uma colherada no pão e levar ao forno já vira uma brusqueta ótema, ou croutons... E como crouton lembra salada, experimente tempera-la com chimichurri, que vai bem com folhas, legumes crus e queijos.

Ainda na categoria Entradas e antepastos, o temperinho vai bem com linguiças e salsichões variados.

Em sanduíches, prove com rosbife! E nos pratos principais, é uma delícia com bifes, filés, frango grelhado ou assado, lombo. Pra simplificar, tudo que combinar com alho vai ficar melhor ainda com chimi!

Tenho feito a receita que vem no livro Bíblia do Churrasco, da Larousse, que dei de presente pro marido. É bem tradicional e versátil. Para dar uma ideia de como dura bem na geladeira, fiz a última vez em fevereiro, ou seja, há quatro meses, e continua maravilhosamente curtido e saboroso. Mas a criatividade é sempre bem-vinda e, além dela, certamente há muitas variações de temperos e ervas mundo afora. Comi uma versão deliciosa no Templo da Carne, do Marcos Bassi. Fiquei louca porque senti um sabor familiar, mas não consegui decodificar o que era. Se alguém souber o toque especial dele, please leave a message.

Eu quero chimi, eu quero churri...
Eu quero chimi tcha tchu tchu tcha
Churri tcha tcha tchu tchu tcha

Chimichurri Tradicional
(Receita adaptada do Livro Bíblia do Churrasco - O manual do bom churrasqueiro)

1 colher de chá de cada um desses ingredientes bem picadinhos:
alho, cebola, salsinha, cebolinha, pimentão, orégano (seco ou fresco), pimenta calabresa desidratada
150g de vinagre
300g de azeite extravirgem
1 folha de louro
Sal grosso a gosto
Modo de preparo:  Coloque o sal grosso em uma vasilha e vá adicionando os demais ingredientes, um a um, incorporando bem. Transfira a mistura para um vidro com tampa esterilizado. Deixe curtir na geladeira ou em um armário escuro por, no mínimo, três dias.
Rendimento: 500ml